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História do Projeto

 

A colonização do oeste paranaense, intensificado a partir de 1950, levou à quase total remoção da cobertura vegetal natural dessa região para o estabelecimento de áreas agrícolas altamente produtivas. Em poucas décadas, esse processo transformou o Parque Nacional do Iguaçu e as áreas adjacentes da Argentina e Paraguai no último grande refúgio para a diversidade biológica regional, incluindo a última população selvagem de onças-pintadas do sul do continente sul-americano.

anestesiaA importância desse contexto relictual foi especialmente reconhecida no início de 1990, quando o biólogo Peter G. Crawshaw Jr. iniciou no parque brasileiro o Projeto Carnívoros do Iguaçu. Durante quase uma década, ele e sua equipe monitoraram algumas espécies de carnívoros da Mata Atlântica, produzindo informações biológicas e ecológicas inéditas sobre elas, especialmente a onça-pintada, um dos alvos principais do estudo original, juntamente com a jaguatirica.

A partir de animais equipados com radio transmissores, Crawshaw (1995) calculou uma densidade de 3,6 onças-pintadas/100 km, estimando uma população mínima de 68 onças para todo o Parque Nacional do Iguaçu, um número já considerado alarmante em termos conservacionistas na época. Além de uma população reduzida, o estudo constatou ainda as mortes de 10 onças, por caçadores e donos de rebanhos atacados por onças nas vizinhanças do Parque, no período de apenas três anos. Entre 1995-97, outras 30 onças adultas foram mortas no entorno do Parque, devido a causas semelhantes (Azevedo e Conforti, 1998), gerando uma expectativa bastante pessimista em relação à viabilidade da população local.

Tais informações tiveram grande impacto sobre a elaboração do Plano de Manejo do PNI, concluído em 1999. Além das medidas de intensificação da proteção e de educação ambiental contemplando a fauna e flora em geral, foram incluídas no documento, medidas específicas para as onças-pintadas, consideradas prioritárias para a conservação da população local da espécie: “... Avaliar, em conjunto com o CENAP, os dados da biologia e proceder, se possível, a estudos de variabilidade genética da onça-pintada Panthera onca e proceder à realização da sua análise de viabilidade populacional e de habitat (PVA/PHVA). Buscar parcerias para a captação de recursos e realização do PVA/PHVA da onça-pintada” (IBAMA, 1999).

Apesar da determinação oficial do Plano de Manejo, tais ações não foram executadas nos anos seguintes devido à restrição de recursos humanos, logísticos e financeiros, já que estas requerem estruturas laboratoriais complexas, técnicos capacitados e elevados gastos com material de consumo, além de informações biológicas e ecológicas ainda indisponíveis para a espécie.

Mesmo com os esforços empregados pela equipe de proteção do Parque, a população de onças sofreu uma drástica redução aparente nos anos seguintes, atribuída, em parte, à pressão de caça exercida pelas populações vizinhas sobre estes predadores e suas presas, mas também a possíveis fatores demográficos comuns às pequenas populações de organismos. Tal redução gerou uma preocupação crescente com a situação da espécie junto à administração do Parque.

historico1Após quase dez anos de perspectivas desanimadoras em relação à execução das medidas previstas no Plano de Manejo, a solução para a falta de recursos financeiros para o monitoramento das onças do PNI surge através do processo de renovação do contato de concessão do Hotel das Cataratas, uma das maiores e mais economicamente ativas concessionárias de serviços turísticos no Parque Nacional do Iguaçu.

Depois de um período de amadurecimento da proposta, a equipe do PNI inicia uma ampla negociação jurídica para incluir, no edital internacional de licitação do hotel em 2006, a obrigatoriedade contratual de financiamento de um projeto de longo prazo por parte da empresa vencedora.

Concluído todo o processo licitatório, o Parque Nacional do Iguaçu finalmente inicia em 2009 os trabalhos do novo projeto. Apesar do nome alusivo, o projeto atual optou por direcionar prioritariamente os seus esforços e recursos ao monitoramento da população regional de onças-pintadas, considerando o seu papel como espécie-chave, além de seu enorme potencial como espécie-bandeira e espécie-guarda-chuva na preservação da biodiversidade local.